quinta-feira, 17 de fevereiro de 2050

A Origem do Horsemanship dos Califórnios

Quero iniciar aqui uma serie de informações a respeito da Tradição dos Califórnios. Essa matéria que posto agora foi publicada na Revista da ABQM há alguns anos atrás, com o titulo, "O Cow Horse".
Mudei o titulo para:
"A Origem do Cavalo Californiano".
A origem do Califórnio 
A Origem dos Califórnios
Nascido no século XVI, pela necessidade do trabalho com o gado, o ágil Cow Horse californiano manteve-se resistente a todas as mudanças através dos séculos.
Embora qualquer cavalo da Califórnia possa ser chamado de cavalo californiano, o verdadeiro herdeiro do titulo é “Ranch Working Cow Horse” ou como é chamado nos dias de hoje o ”Working Cow Horse”, cuja historia é inextricavelmente entrelaçada com historia desta terra e seu povo.
Tal como o povo desta terra o “Working Cow Horse” californiano é um imigrante com uma mistura de heranças genéticas cujas origens exatas se perderam nas viagens e no tempo.
Sabemos que os cavalos selvagens que vivem na Califórnia há cerca de 200 anos são descendentes dos cavalos trazidos por Cortez, para o México. São animais da linhagem dos cavalos trazidos ao caribe por Colombo em sua segunda viajem em 1494. A tropa de Colombo era indubitavelmente de origem espanhola e moura, mas e antes disso? A resposta é irrelevante, pois como o povo desta terra, o mesteño ou mustang selvagem possuía a mistura de um vigor híbrido, assim como a terra fértil da Califórnia, o que somado ao isolamento geográfico ajudou o cavalo e o homem a não apenas sobreviver, mas prosperar.
“Cow Horse” californiano passou por quatro grandes períodos de prosperidade sem ser afetado pelos desastres naturais e guerras que geralmente impedem a evolução:
1)partindo do período da expansão espanhola na Alta Califórnia iniciado pelos missionários em 1769 e pelos Ranchos cedidos aos Califórnios 50 anos mais tarde.
2)depois durante a frenética era da corrida do ouro.
3)seguido pela ameaça de extinção no século XX pela competição com inicio da era motorizada, e a subsequente salvação e ressurreição na era dourada de Hollywood.
4)e finalmente a era contemporânea.
Esses cavalos tem seguido a mesma trilha de infinito crescimento que tem favorecido a Califórnia desde o seu descobrimento e inicio de sua exploração pelo homem “civilizado”.
Raízes Espanholas 
Quando o frade Junipero Serra juntou-se à primeira expedição de D. Gaspar de Portola, na Alta Califórnia, levou com ele devotos franciscanos, alguns cavalos, gado, mulas cabras e ovelhas, para estabelecer as primeiras Missões.
Apesar da aparência inocente e pacifica dos frades, com suas batinas marrons eles não tinham nada de inocentes e inexperientes. Em geral eram filhos de proprietários de terra na Espanha e tinham muito conhecimento a respeito do horsemanship usado pela Cavalaria Leve Espanhola. Eram pessoas familiarizadas com táticas de guerra, assim como na lida com animais e agricultura e estavam determinadas a converter para a sua igreja o maior numero de pessoas possível.
Tudo que sabemos a respeito do Oeste norte americano, nasceu no México ou Nova Espanha. Era assim que no século XVI os conquistadores chamavam aquela região.
As primeiras missões lutaram para sobreviver longe da Espanha e do apoio do México, cercados por povos nativos sempre curiosos e por vezes hostis. Entretanto, a abundancia de campos e florestas da Califórnia, o clima brando e o bom gerenciamento dos recursos feitos pelos frades e pela reduzida força militar espanhola, fez com que as missões começassem a acumular terra e gado em uma quantidade estarrecedora.
Em 1773 a soma dos animais nas 5 primeiras missões totalizava o numero de 73 éguas de cria 4 potros e 30 cavalos de trabalho e cerca de 350 cabeças de gado, todos na Alta Califórnia. Por volta de 1800 com mais 13 missões esse numero passou a ser aproximadamente 153.000 cabeças de gado em todo o território. As estatísticas para o ano de 1834 com 21 Missões produtivas eram de 396.000 cabeças de gado e 61.600 cabeças de equinos – um número surpreendente considerando a quantidade de cavalos e de gado trazidos para o norte pelos missionários.
Como estes números não incluem os cavalos selvagens e o gado proveniente de umas poucas cabeças perdidas, desgarradas ou roubadas pelos índios das missões e dos presídios militares, presume-se que havia um numero desses animais ainda muito maior naquele território.
Conforme o rebanho crescia, aumentava a necessidade de vaqueros. As Missões contavam com uns poucos espanhóis, portanto, não tinham homens disponíveis. Embora fossem tecnicamente proibidos pela lei espanhola, permitir que os nativos tivessem acesso aos cavalos, os missionários começaram a ensinar os índios convertidos a montar e foi assim que nasceu o Vaquero da Califórnia.
Herdeiro do horsemanship e do artesanato de artigos de selaria dos mouros e espanhóis, o “Vaquero Californiano” – uma mistura de sangue e hábitos dos índios, mexicanos e espanhóis – emprestou o que quis das tradições dos conquistadores e exploradores e inventou tudo o mais que acreditou ser necessário, criando, inconscientemente uma das melhores abordagens de horsemanship que já se viu.
O “Cow Horse” californiano ainda carrega a marca daquele Vaquero engenhoso, talentoso e habilidoso. Desde o Spade bit ou Half Breed bit, com suas pernas incrustadas de prata em forma de meia lua e estrelas islâmicas(influencia moura), suas selas “wade” bordadas e equipadas com os enormes pitos “Guadalajara” encapados com couro de mula que facilitam o trabalho do estilo “Dally”, foi como os buckaroos americanizaram a expressão: dale una vuelta. Era uma maneira de se passar a reata, (laço de couro cru trançado, com 18 metros) pelo pito da sela para segurar o animal laçado. De uma forma ou de outra se tornou muito mais eficaz no manejo do gado, do que as Garrochas (bastões com pontas de metal, usados para manejar e separar o gado, trazidos da Espanha).
O “Cow Horse” californiano, atual “Working Reined Cow Horse” possui uma maneira orgulhosa de carregar seu corpo, flexionado na primeira e segunda vértebras, sempre engajado e a disposição do seu cavaleiro. Leve como uma pluma, grande orgulho daqueles pacientes Vaqueros.
Desde o acabamento das selas com detalhes em couro cru e prata, a seus esbarros que fazem o chão roncar até os estonteantes giros sobre os posteriores, o “Cow Horse” californiano tão valorizado pelos treinadores de rédeas, é um tributo vivo à paciência e abordagens de treinamento daqueles que recebiam o titulo de Vaquero.
A população da Alta Califórnia (de San Diego a atual Sonoma), cresceu lentamente, cercada ao oeste pelo Oceano Pacífico e ao leste pelos proibitivos desertos e pela Serra Nevada. Por volta de 1815, os velozes navios da Nova Inglaterra a caminho da China e do Extremo Oriente, passaram a incluir Monterey em seus itinerários para comercializar com os frades das Missões.
Nessa época, era realizado um Rodeio para separar, marcar e abater o gado em antecipação a visita dos navios e o nível de destreza(horsemanship) apresentada durante essas festas tornaram-se verdadeiras lendas. Os Vaqueros adoravam a oportunidade de exibir seus cavalos e sua habilidade com a reata. Competições ousadas, incluindo laçar os temíveis ursos pardos, começaram a se desenvolver.
Quando o México ficou independente da Espanha em 1826 as missões foram secularizadas e uma grande parte das terras da igreja tornaram-se propriedades privadas de homens ambiciosos. Esses enormes Ranchos cujos donos eram chamados de Califórnios, renderam um enorme lucro com a carne, o couro e o sebo do gado que prosperava ali e os Califórnios ficaram cada vez mais ricos e satisfeitos com o trabalho dos Vaqueros.
Em 1846 a Califórnia rompeu a sua aliança com o México e os novos colonizadores, “Yankees” começaram a tomar as ricas terras que tinham pertencido a gloriosas gerações de Califórnios. A era dos Ranchos terminou e com ela foi-se embora o gracioso estilo de vida dos Califórnios e o tempo ilimitado que os Vaqueros devotavam para produzir os melhores cavalos que eram usados para trabalhar o gado e para montar.
A Influencia dos Yankees
Com a descoberta do ouro perto de Sacramento em 1848, a Califórnia transformou-se no alvo de uma das maiores migrações humanas da história – um fluxo que se tornou uma verdadeira inundação. Quando a palavra ouro era ouvida nas grandes cidades e comunidades agrícolas do leste, a corrida era uma loucura.
Foi o “Cow Horse” californiano que carregou os mineradores, seus equipamentos e as riquezas que adquiriram, por toda a segunda metade do século XIX.
Embora bois e mulas fossem usados durante a migração para o oeste, os cavalos permaneceram como o meio de transporte preferido na Califórnia, por que podiam, em muito pouco tempo, cobrir as longas distancias entre os assentamentos.
Enquanto os colonizadores otimistas escolhiam uma rota árdua por terra ou mesmo navegando ao redor do cabo, o mercado se manteve forte no que diz respeito a cavalos robustos e resistentes que levavam os imigrantes até as montanhas e os lugares onde haviam escolhido para viver a sua nova vida.
Com uma estimativa de 2.000.000 de novos californianos, na primeira década da corrida do ouro, a demanda de carne aumentou consideravelmente. Rapidamente os grandes rebanhos começaram a valer fortunas. Passou a existir uma grande demanda de carne e couro nos grandes assentamentos criando alvoroço nas cidades novas como S. Francisco por exemplo.
Apesar de fortunas feitas e perdidas nas minas de ouro e prata terem sido manchetes dos principais jornais da segunda metade do século XIX, muito mais dinheiro era ganho suprindo a população que corria freneticamente atrás da sorte grande. Desde Mother Lode até Comstok, comerciantes, rancheiros e fazendeiros foram os grandes vencedores da corrida para o Oeste. Mesmo depois que as minas se esgotavam e os mineiros partiam em direção aos novos rumores de outras minas, os rancheiros mantiveram-se por muito tempo com as fortunas feitas nesta época.
Depois da Guerra Civil e da construção da Ferrovia Transcontinental em 1869, o caminho para o Oeste continuava atraindo intrépidos viajantes para a Califórnia. Os Ranchos prosperavam e embora os índios das planícies e os búfalos começassem a ficar espremidos pelos arames farpados e pela agressividade e determinação dos que se estabeleciam ao leste das Montanhas Rochosas, as riquezas minerais e a agricultura eram abundantes e capazes de absorver todos que ai chegassem, incluindo alguns ex-escravos que não tinham para onde ir.
Nunca anteriormente o oeste e o leste estiveram tão próximos. Comerciantes atravessavam o estado a cavalo distribuindo produtos de necessidades básicas e artigos de luxo e também havia o “Pony Express”(serviço de correio), embora posteriormente, este tenha sido substituído pelo telégrafo.
Os rumores da promessa de uma vida nova na Califórnia, com seu clima brando e infindáveis recursos chegava até a Europa e a imigração continuava.
Os novos imigrantes chegavam trazendo gado doméstico, assim como a cavalaria trazia novas raças de cavalo do leste que eram cruzados com as éguas nativas, uma tropa formada basicamente pelos mustangs,(mesteños)rústicos e determinados. O clássico “Working Cow Horse” californiano começa a emergir: ossos mais delicados, mas fortes, pele fina, carregada da sensibilidade necessária aos horsemen, rápidos e intrépidos. Olhos grandes e inteligentes, possuíam muito “cow sense”, quer dizer, aprendiam muito rapidamente a lidar com gado,
Esses cavalos eram traiados de forma muito particular. Artesãos extremamente hábeis, se espalhavam pela região para servir aquela população crescente. As selas eram verdadeiras obras de arte, os freios e as esporas incrustadas de prata, mais pareciam jóias do que equipamentos de trabalho. As cabeçadas adornadas de couro cru e prata, e através das mãos compreensivas que seguravam a alça do romal(rédeas de couro cru, trançadas dentro dos padrões mais requintados de artesanato) as bocas pacientemente educadas produziam musica através dos “Rollers” que compunham e ainda compõe, o bocal dos Spade bits e Half Breed bits e o tradicional balé feito por homens cavalos e gado continuava.
Hollywood Salva o Cavalo Californiano
Com o crescimento das cidades e os trens diminuindo as distancias depois do fechamento das pradarias em 1890 cavalos se tornaram parceiros desnecessários na agricultura por causa da mecanização. De repente se tornaram figuras anacrônicas do Oeste Selvagem, isto é, apareciam em shows, circos e em alguns rodeios.
Por terra e mar, os meios de transporte passaram de caravelas, carroças e carruagens a navios a motor, trens e automóveis e as rodovias e ferrovias já não eram mais adequadas para as ferradura dos cavalos.
As pessoas queriam tratores e caminhões que trabalhavam e depois ficavam quietos na garagem. Não queriam mais os cavalos que precisavam ser alimentados e exigiam cuidados diários.
A I Guerra Mundial incentivou o desenvolvimento do transporte mecanizado e as maquinas de guerra, foram elementos que de certa forma sentenciaram a morte o cavalo e toda a atividade eqüestre.
Como um parceiro de trabalho e uma condução integra e confiável, quer dizer, sair daqui e chegar lá, o “Cavalo Californiano estava condenado a desaparecer, quando do meio de uma nuvem de poeira, escutamos pela primeira vez um “Hi O Silver”que fez com que os nossos mais profundos vínculos com cavalos reascendessem. Em romances baratos e nos cinemas, a população de uma nação que estava com a economia completamente arruinada por causa da I Grande Guerra, começou a ver cowboys e cavalos como ícones da virtude, bondade e melhores dias.
Primeiro foi no cinema mudo, depois nos falados e nos musicais (invenção improvável do cowboy cantor)- o cavalo havia ressuscitado. Roy Rogers & Trigger, Gene Autry & Champion, Zorro & Silver, Tom Mix & Tony, Hapalong Cassidy & Topper e muitos outros. Os cowboys eram bons e seus cavalos muito melhores. A Época de Ouro do western de Hollywood, reviveu o interesse pelos cavalos, e pintou-os não como maquinas de fazenda, lerdas e sem vida, mas como valiosos amigos. Graças ao cinema, de repente os cavalos se tornaram companhias desejáveis, ótima recreação e algo tangível que fazia com que se identificassem com a opulência e a magia de Hollywood, Califórnia
Muitos soldados que voltaram da Segunda Grande Guerra, escolheram se estabelecer na terra das estrelas de cinema. Pequenas chácaras à margem das cidades abrigavam cavalos e cachorros que eram um requerimento básico para se criar crianças. Assim que a classe média da Califórnia cresceu, muitas oportunidades foram aparecendo para se possuir e montar a cavalo.
Meninas pré-adolescentes, sempre loucas por cavalo eram encorajadas pela imagens da Elizabeth Taylor e Jacqueline Kennedy a fazerem aulas de equitação e se tornaram confiantes amazonas.
Rodeios, Exposições, Cavalgadas e Desfiles ofereciam oportunidades para as pessoas montarem a cavalo e mostrar a cara, assim os californianos mostravam para todos o melhor cartão postal. O velho Oeste e o mérito do cowboy.
Na década de 60 o valor das terras para se operar ranchos comerciais subiram consideravelmente, nos estados ao norte e a leste da Califórnia. Aqueles que conseguiram ficar receberam como recompensa os lucros vindos do gado que era criado naquelas terras férteis e honraram, nem que tenha sido apenas teoricamente, a grande habilidade e disciplina da Tradição do Vaquero Californiano, tão necessária há mais de 100 anos atrás.
As celebridades californianas ainda possuem cavalos e quando uma estrela do cinema(Ronald Reagan) se elege presidente da republica dos E.U.A., seus cavalos, aparecem regularmente na imprensa, traiados dentro da Tradição Californiana.
Mudanças Modernas
A Califórnia desenvolveu uma população eqüina das mais diversas em relação ao resto do mundo e também é o estado que possui a maior população de cavalos de todos os E.U.A. Mas o Cavalo Californiano – aquele cavalo extremamente ágil na lida de gado tão valioso para os Vaqueros esteve para desaparecer, até que um grupo de entusiastas dessa Tradição, se reuniu e em 1949, foi fundada a “Califórnia Reined Cow Horse Association”.
A maior preocupação dos fundadores da C.R.C.H.A. era preservar a tradição e estilo do treinamento e do trabalho com o gado tanto nas arenas como nos Ranchos, do antigo cavalo Californiano. Renomeada “National Reined Cow Horse Association”, a organização, mantém o “Snaffle Bit Futurity” como o seu evento mais lucrativo que junto com a dedicação dos seus membros, mantém viva a lenda do Tradicional Cavalo de Lida Californiano.
Atualmente, nessa virada de milênio, uma onda de nostalgia vem surgindo em torno do Cavalo Californiano. O numero de pessoas que procura pela tradição, na maneira de montar e na educação e boas maneiras no manejo o cavalo do Buckaroo é cada vez maior. É como se fosse uma ressurreição, uma nova vida em direção do horsemanship do Estilo Californiano de Montar e Ensinar o cavalo a Trabalhar que nasceu nos desertos do Norte da África com os Mouros, mas que foi incubado na Espanha e no México e que desabrochou nos enormes Ranchos da Califórnia da metade do século XIX.
O corrente renascimento do Cavalo de Lida Californiano – independente de como ele possa ser chamado, “working cow horse, west coast reiner ou apenas, o Bom e Integro Cavalo de Serviço dos Ranchos, – só vem confirmar a tendência na direção à integridade desse paciente mestiço, mas nobre linhagem, tanto de animais quanto de pessoas, enquanto entramos nesse novo século.
Texto: Suzanne Drnec
Inspirado: Revista Western Horseman Junho 2001
Versão: Borba
Publicado: Revista ABQM

quarta-feira, 27 de julho de 2016

NA PRÁTICA, A TEORIA É OUTRA
Na busca pela integração homem-cavalo precisamos, antes de tudo, nos conectar em nós mesmos
Sei que sou um sonhador, mas também sei que não sou o único, por isso, gostaria muito de compartilhar as minhas sensações e percepções a respeito de como vejo o cavalo. Afinal, desde que comecei a trabalhar com Educação Equestre & Equitação já se passaram 40 anos. Uma trajetória recheada de inúmeros livros, filmes e clínicas e uma grande lição, como já mencionei várias vezes aqui, “na prática a teoria é outra”.
Digo isso por que a cada cavalo novo que chega e cada curso que ministro, tenho que me ajustar a determinadas situações. Isso me fez aprender, desde muito cedo, que a verdadeira teoria é aquela que acabei de praticar. Quando, por exemplo, um aluno me diz que o cavalo dele não quer fazer determinado movimento, respondo que com essa postura ele estará fechando as portas do seu próprio desenvolvimento.
Para se abrir ao desenvolvimento de sua Educação Equestre, terá, antes de tudo, de entender que, naquele momento, não tem conhecimento e habilidade suficientes para apresentar o movimento de maneira que aquele cavalo possa compreender.
Tenho absoluta convicção de que foi acreditando que os problemas estavam comigo e não com o cavalo que consegui superá-los. O fato de estar exposto àquela situação me levava a buscar dentro de mim novas formas de abordar o mesmo problema. Talvez essa seja a maior riqueza do meu convívio cotidianamente com os cavalos nesses últimos 40 anos.
O mais incrível é que, depois de todos esses anos, sinto que agora começo a perceber o que realmente importa. Quando mais me aprofundo no sentido de compreender o significado e a importância do instinto de autopreservação, fica cada vez mais clara a tendência natural do cavalo para fazer conexão com o ser humano. Essa é, sem dúvida, a condição sine qua non para ganharmos a sua confiança. Na verdade, ele só precisa da nossa sensibilidade.
Isso só é possível se, quando estiver diante de um cavalo, consiga enxergar só o cavalo, com todas as suas peculiaridades e particularidades, nada além disso.
Preciso estar com os meus sentidos e a minha intuição ligados para tentar traduzir o que ele está querendo me dizer a respeito daquilo que está acontecendo dentro dele. Percebo claramente que o que acontece no seu corpo é reflexo do que ele está sentindo internamente. Tanto mental quanto emocionalmente.
O cavalo tem uma vida interna muito intensa e particular. Acredito realmente que é muito complexo trazer para a consciência tudo que existe num cavalo. É mais difícil ainda separar todas peculiaridades e particularidades. Para adequar corretamente nossas decisões, precisamos dirigir todo o nosso esforço na direção da compreensão desses detalhes.
Minha preocupação é sempre ajudar as pessoas a se apresentarem ao cavalo de uma maneira que consiga recebê-las com segurança e compreensão. No entanto, sei que só imbuídos de muito amor e de uma paciência infinita - com o cavalo e nós mesmos - é que vamos conseguir compreender seus medos, aflições e resistências.
Hoje, depois de 40 anos, percebo claramente quando acontece aquele “ah, então é isso!”. É nesse momento que somos tocados no coração, que nada mais é que o cavalo retribuindo deliberadamente, confiante e sem nenhuma resistência àquilo que pedimos.
Mas não vamos esquecer: “primeiro precisamos compreendê-lo, para depois sermos compreendidos”.
Não existe nenhuma explicação racional para esse “Ah!”, que marca o momento exato da verdadeira integração. Isso é fruto apenas da “nossa sensibilidade, do nosso timing, e do nosso bom senso”, coisas que aprendemos no dia a dia.
Por isso, insisto com meus alunos que o primeiro passo do aprendizado é desenvolver um nível de consciência que nos permita entender onde nosso cavalo está física, mental e emocionalmente. A partir daí vamos construindo.
Nessas quatro décadas trabalhei com centenas de pessoas e cavalos. Digo, com toda segurança, que a grande maioria me deu o seu melhor de seu tempo, sua atenção e, principalmente, seu esforço pessoal. Na verdade, sinto que compartilhamos experiências que foram extremamente valiosas, não só para elas, mas principalmente na minha procura pelos caminhos da verdadeira integração homem-cavalo. Não vou citar nomes, mas quem quiser pode entrar no www.doma.com.br e ir na parte de “Depoimentos”. Ali estão relatos de pessoas que conseguiram emergir nesse tipo de entendimento e o que realmente significa o meu trabalho.
Acabamos, por tudo o que está compreendido, também conectados. Até hoje essas pessoas estão absolutamente presentes na minha vida. Sempre penso nelas, na experiência que passamos juntos e nas coisas que aprendemos e continuamos aprendendo. Trata-se de um exercício infinito e aí reside a magia dessa relação. Quero, com muito carinho, agradecer a todas as pessoas e todos os cavalos pela oportunidade e privilégio de compartilhar momentos inesquecíveis de nossas vidas. Obrigado, mesmo!
Revista Horse Edição 56 - Maio 2013 - Doma em Progresso.
Eduardo Borba
Projeto Doma
UM NOVO OLHAR SOBRE OS VELHOS MÉTODOS
Nesses últimos 10 anos, tenho feito um grande esforço para colocar a Educação Equestre e a Equitação em bases onde as pessoas consigam abordar os animais com sucesso. Não acredito em mágicas. Meu objetivo principal é que as pessoas consigam criar situações com seus cavalos onde possam evoluir além das suas referências e limites. Acredito no esforço de cada um, no que diz respeito a estudar o cavalo como um todo: físico, mental e emocional.
Não importa qual é a modalidade da atividade equestre escolhida. O cavaleiro precisa ter habilidade para administrar e dirigir a energia do seu cavalo dentro daquele tempo e espaço.
Para isso, é fundamental que o cavaleiro perceba que existe uma diferença enorme quando o cavalo controla sua própria energia e quando ele permite ao seu cavaleiro comandá-la.
O fato é que, na maioria das vezes, as pessoas acreditam que estão controlando a energia do seu cavalo, mas na verdade não estão. Montar é como dançar. se estiver tocando samba, os dois têm que dançar samba. Não pode um dançar samba e o outro dançar valsa.
Quando estou montando um potro ou mesmo um cavalo mais maduro, gosto de fazer um teste para saber se aquele animal está realmente comigo.
Num determinado momento da sessão, paro de montar, isto é, jogo as rédeas no pescoço dele e tiro toda a energia do meu corpo. se ele parar imediatamente, significa que estávamos conectados como se estivéssemos dançando e acabasse a música. Mas se isso não acontecer, fica muito claro que não estávamos sintonizados na mesma música.
Outro exemplo característico: uma pessoa que está cabresteando um cavalo que está relutante em andar. A cada passo ele vai ficando mais pesado no cabo do cabresto. Num determinado momento ele para. A pessoa para, alivia o cabo do cabresto e olha para trás. O alívio neste caso está reforçando o cavalo a não entregar a sua energia.
O que os cavalos fazem e por que fazem o que fazem? Eles sabem tudo o que não sabemos. São muito espertos, evitam aquilo que não compreendem, mas toleram tudo o que não conseguem evitar.
Em razão disso, só a “atenção sobre si” é capaz de nos ajudar a desenvolver habilidades físicas, mentais e emocionais para saber onde o nosso cavalo está mentalmente. Quando estamos ensinando alguma coisa nova ao nosso cavalo, precisamos aprender a reconhecer a menor tentativa e a mudança mais sutil para começar a construir a partir dali. É fundamental perceber como o animal pensa antes de agir. Por exemplo, quando vou ensinar um cavalo a me dar uma das patas, o que acontece antes dele levantar essa pata? primeiro ele precisa transferir o peso para as outras três e se estabilizar nelas. Só depois disso consegue me dar a pata e ficar tranquilo. A maioria das pessoas não percebe isso e, quando o cavalo precisa colocar aquela pata no chão para restabelecer o equilíbrio, acham que ele está teimoso e castigam-no pela atitude. Isso não faz nenhum sentido ao cavalo. Com isso, ele vai sempre associar o manusear das patas a uma sensação desagradável.
É o nosso desenvolvimento da nossa sensibilidade que vai nos ajudar a interpretar as diversas sensações (feel) que o cavalo nos oferece e é o acerto dessa interpretação que nos levará ao timing daquele cavalo e o nosso bom senso vai nos mostrar o que é fazer muito pouco e o que é ir além do limite.
O que se vê é muitas vezes uma técnica sendo aplicada ao pé da letra. Mas o cavaleiro não está levando em consideração as sensações (feel) e o timing daquela situação. Nesse caso o resultado é apenas sofrível. Por outro lado, um cavaleiro dono de uma técnica não tão apurada, mas que aplicada observando a sensação (feel) e o timing do cavalo, produz um resultado muito melhor. O que ocorre é que quando interpretamos corretamente aquela sensação (feel) e acertamos o timing, o nosso bom senso mostrará o que é fazer pouco e o que é fazer muito.
É na psicologia, isto é, na sensibilidade, timing e bom senso, que está a chave que abre o cavalo para nos entregar a sua energia. por isso que se diz: “Os bons e longos serviços que um cavalo poderá dar durante sua vida útil vai depender de como ele foi iniciado”.
Revista Horse Edição 33 - Maio 2011 - Doma em Progresso.
Eduardo Borba
Projeto Doma

segunda-feira, 25 de julho de 2016

UM TRABALHO PARA A VIDA




Só a maturidade pode nos dar o verdadeiro entendimento do que esperamos de nossos animais... e de nós mesmos
“A palavra old, que em português quer dizer antigo ou velho, é também uma expressão bem antiga, que se supõe ser derivada de uma raiz indo-européia que significa nutrir. Seguindo a pista dessa palavra no gótico, no norueguês antigo e no inglês antigo, descobrimos que uma coisa antiga é inteiramente nutrida, crescida, amadurecida”. James Hillman, psicanalista junguiano.
No fim do ano completo 65 anos de idade e 40 de estrada, lidando com pessoas, cavalos e gado. Sinto que quando mais velho vou ficando, mais me surpreendo, me decepciono, fico feliz, me aflijo, me deprimo e fico encantado comigo mesmo. Na verdade, percebo que sou tudo isso o mesmo tempo. E mais: percebo também que não há nada que eu tenha bastante certeza. No entanto, a cada dia que passa percebo o quanto essa experiência com pessoas, cavalos e gado tem me preenchido. Os textos que recebo das pessoas com as quais me envolvo são a prova vida desse processo todo.
Ficar mais velho, mais antigo dentro dessa trajetória me faz sentir nutrido, crescido, amadurecido. Esse amadurecimento vem me mostrando cada vez mais que Educação Equestre e Equitação começa com o cavaleiro e não com o cavalo. Ninguém vai ensinar um cavalo a andar, trotar, galopar, parar, recuar, virar para a esquerda ou direita. Ele já nasce sabendo fazer tudo isso. O nosso assunto agora é ensiná-lo a fazer tudo isso a partir de nosso pedido.
Cavalos vivem o aqui e agora no sentido mais amplo da palavra. Tudo que lhes importa é o conforto físico, mental e emocional. Qualquer interferência nesse conforto provoca medo, ansiedade, insegurança e desconfiança.
Foi o conceito de Feel, Timing & Balance (Sensibilidade, Timing & Equilíbrio) que me levou a uma outra dimensão no que diz respeito à Educação Equestre e a Equitação. É aquela famosa expressão espanhola “Dos es Uno”. O cavalo sou eu.
Foi a partir desse conceito que comecei a não me satisfazer mais com os resultados que vinha conseguindo. Não percebia o cavalo trabalhando comigo. Ele trabalhava para mim ou contra mim. Não tinha consciência de que antes de tudo o cavalo é uma atitude. Não dava ele a chance da escolha.
Compreendi que para ter essa profundidade, isto é, perceber o cavalo como uma atitude, precisava aumentar a minha capacidade de percepção e escuta. Se quero ensinar alguma coisa ao meu cavalo é fundamental que eu saiba onde está a sua atenção. Como o mental e o emocional entram em contato com o seu corpo. Era uma outra amplitude da relação Cavalo-Cavaleiro. Precisava aprender a ver o cavalo se preparando mentalmente para executar o que eu tinha pedido pra ele fazer. Por exemplo, como saber qual pata que iria começar o movimento?!?
Conforme o nosso “Feel, Timing & Balance” vai melhorando, começamos a ver o reflexo que tudo que está na sua mente e no seu emocional, no seu corpo. Tensão, relaxamento, intenções, distribuição de peso, etc...
Vou dar um exemplo bem simples. Quando estou trabalhando no chão, o meu cavalo está parado na minha frente e peço para ele sair num círculo para a direita, preciso perceber a sua intenção. Se ele olha para a direita e dá o primeiro passo usando a mão direita, posso dizer que ele estava mentalmente conectado comigo. Caso ocorra o contrário, ou seja, se ele estiver olhando para a esquerda e o peso estiver na paleta esquerda, sei que ele está pensando para a esquerda, então posso prepará-lo antes que aconteça aquilo que vai acontecer. Desencorajo aquela atitude e tenho a chance de prepará-lo melhor para o que estou querendo.
Para todos aqueles que estão iniciando, seja no esporte, trabalho ou lazer, não acredito que possa existir nada melhor para começar do que nos “Trabalhos de Chão”. Ele nos proporciona conhecer o cavalo como um todo (física, mental e emocionalmente) e abre as portas para que o cavalo também possa nos conhecer.
Depois que comecei a lidar com cavalos tendo como meta principal da minha Educação Equestre o desenvolvimento do meu “Feel, Timing & Balance”, compreendi que o melhor de tudo foi aprender a acolher o que acontece. Não importa se bom ou ruim. Quando trabalhamos com seriedade e disciplina, consciência e humildade, decepções e frustrações se misturam com alegrias, satisfações e encantamento.
Não há como aprender Educação Equestre e Equitação sem passar por isso. Acredito que talvez essa seja a maturidade que estamos falando.
Revista Horse Edição 38 - Outubro 2011 - Doma em Progresso.
Eduardo Borba
Projeto Doma

segunda-feira, 30 de maio de 2016


 D.o.m.a significa:  Bom, Limpo & Justo


Bom, quer dizer, eficiente, cavalo e cavaleiro sabem se comunicar. Isto é, durante uma sessão de treinamento, o cavaleiro sabe que para progredir precisa desafiar o seu cavalo, mas também sabe que a sessão precisa ter de 70 a 80% de compreensão e apenas 30 a 20% de confusão. Ele sabe que é isso que vai fazer com que seu cavalo desenvolva a confiança e a vontade de colaborar.
Limpo, significa que o cavalo precisa ter uma vida digna, Ele precisa de uma ROTINA ORGANIZADA. Que seja manejado por cavalariços que tenham a compreensão de que a cocheira é a casa do cavalo. Que saibam como aborda-lo na cocheira, colocando o cabresto de forma educada, sabendo como leva-lo de um lugar para o outro sem surpresas desagradáveis. Evidente que água fresca e comida de qualidade, concentrado, verde e feno, são elementos óbvios, não se esquecendo de que precisam estar dentro de um horário relativamente harmônico para oferecer cada um deles. Os equipamentos usados precisam ter um mínimo de qualidade e tenham uma rotina de manutenção, para que possam sempre ajudar ao invés de serem uma desculpa de eventos desastrosos. Poderia ficar aqui argumentando muitos outros elementos que acredito fazerem parte daquilo que chamamos um Horsemanship Limpo. Mas acredito que esses que estão ai colocados já são suficientes para o Bem Estar do Cavalo.

Justo. O que é preciso compreender definitivamente que para ser JUSTO, precisamos aprender a mastigar A IMPORTANCIA E O SIGNIFICADO DO INSTINTO DE AUTO PRESERVAÇÃO. E que a maior violência que podemos fazer com um cavalo é OBRIGA-LO A FAZER ALGUMA COISA QUE ELE AINDA NÃO COMPREENDEU. Por isso que sempre digo que Horsemanship não é aquilo que fazemos com o cavalo mas sim aquilo que fazemos conosco, quando estamos com o cavalo, em qualquer situação. O que é Ser Firme sem Ser Grosseiro? Conseguir perceber a Menor Tentativa e a Mudança mais Sutil e começar a construir a partir dali. O que Aconteceu Antes de Acontecer o que Aconteceu.

quinta-feira, 31 de março de 2016

O Treinamento e suas metas

O treinamento e suas metas
É importante ter um filme de como imaginamos o nosso produto final, onde queremos chegar, para podermos estabelecer os objetivos e trabalhar naquela direção.
Todo e qualquer projeto de sucesso, precisa de metas. Não importa se é um empreendimento comercial, um serviço, um trabalho de arte, um concerto musical ou o treinamento de um cavalo. No nosso caso, a meta é um cavalo finalizado, pronto para ser apresentado. Por isso, é importante ter um filme de como imaginamos o nosso produto final, onde queremos chegar, para podermos estabelecer os objetivos e trabalhar naquela direção.
Além de saber onde queremos chegar é preciso analisar a questão do tempo. Além do cronológico, também temos o tempo interno, ou seja, a nossa disponibilidade interna para nos dedicar a esse cavalo. Ainda existe gente que acredita ser possível treinar um cavalo montando-o de vez em quando.
No caso do esporte equestre atual, temos grandes eventos, como os Potro do Futuro, onde o dinheiro e o prestígio estão sempre gritando muito alto. Normalmente, esses eventos têm data marcada. Portanto, a meta do treinador é aprontar o potro para aquela data. Muitas vezes, o processo do potro pode ser mais lento, no que diz respeito à sua evolução no processo de treinamento ou se machuca numa das fases ou é mal nascido e, de repente, fica atrasado.
É nesse momento que a maioria dos treinadores se perde, porque acreditam que precisam apertar o programa para chegar e recuperar o tempo perdido se torna o foco do treinamento. O resultado, com certeza, vai ser um potro mal treinado e se ele se der bem no Potro do Futuro vai ser uma exceção.
Muitos treinadores adoram se vangloriar apesar das adversidades e outros responsabilizam o potro por seu fracasso. Mas nunca escutamos um comentário ponderado do tipo: "Ele não estava bem mesmo. Na verdade, ele deveria ter ficado em casa."
Precisamos sempre levar em conta que as sessões de treinamento apresentam sempre muitas variações. Muitas vezes, precisamos usar duas estratégias diferentes para obter a mesma resposta de dois cavalos diferentes.  É nesse momento que as habilidades e a experiência do treinador entram em cena. Muitos treinadores inexperientes acreditam que o treinamento é mecânico; que fazendo isso, eles obtêm aquilo. Isso é absolutamente falso no que diz respeito ao treinamento de cavalos. Pode ser verdade se estivermos operando uma máquina, mas nunca com cavalos.
É muito comum vermos um cavalo que não está indo bem com um determinado treinador e ser mandado para outro e começar a funcionar bem. Por quê? Porque, provavelmente, esse cavalo reage melhor a como esse treinador lhe apresenta os exercícios. Essa maneira não estressa tanto o cavalo ou ele tem mais liberdade para executar as manobras ou agora ele não tem medo ou não está deprimido e nem frustrado.   Como já disse em várias ocasiões: "mais importante do que o que se faz, é como se faz". Não podemos esquecer que cavalos são indivíduos únicos, assim como nós.
Outra dificuldade que encontramos no treinamento de cavalos é a questão hormonal que faz com que os treinadores se afundem na sua mala de truques, procurando por maneiras de anular aquela situação e trazer esses animais para uma moldura mental e emocional, mais apta a ser treinada. Mas, na maioria das vezes, as frustrações são inevitáveis.
No meu entender existem algumas situações que nos sinucam como treinadores. A primeira são as emoções negativas, como: medo, insegurança, ansiedade, desconfiança e etc... já falamos disso numa outra matéria, repito por que acredito que essa questão exige uma postura mais consciente e séria. Um cavalo não tem a menor condição de receber treinamento se estiver com medo, ansioso, desconfiado ou inseguro. Nesse caso, a repetição só vai piorar a situação. Não podemos esquecer que somos nós os responsáveis pela acomodação, portanto, voltar atrás é a nossa melhor opção.
O que mede a capacidade de um treinador não é só a sua habilidade para ensinar o cavalo a executar as manobras, mas, principalmente, a habilidade para tirá-lo dessa moldura mental/emocional e voltar a uma moldura de aprendizado. Punir um cavalo com medo/insegurança/ ansiedade/desconfiança está absolutamente fora de cogitação. Isso só agrava o problema.
A segunda situação é a frustração e a apatia que tem como suas maiores causas a intensa repetição dos exercícios e manobras. Muitos treinadores não sabem “o momento de parar”. Precisamos compreender que, na maioria das vezes, o cavalo se recusa a executar um exercício ou manobra devido a alguma frustração que está vivendo. Para aliviar esse problema, a questão  é simplesmente diminuir o tamanho das sessões e tentar manter o cavalo alerta e colaborador.    A terceira situação e essa talvez seja uma das mais importantes é a "confusão". Se o cavalo estiver confuso o melhor que podemos fazer é deixar o treino para amanhã. Podemos fazer um exterior e deixá-lo quieto. É importante saber que a maioria das causas de "confusões" aparecem por pedirmos para executar um movimento ou manobra que ele ainda não é capaz ou por pedir muito, muito cedo, ou também por causa das nossas punições, fora do “timing”.  Se um cavalo fica excitado quando é requisitado, tentando disparar ou relutando a tentar, provavelmente ele está confuso. Portanto, punição e repetição são absolutamente inadequadas. Na verdade, precisamos bolar um plano onde possamos ensiná-lo mais devagar.
O maior problema é que a maioria dos treinadores, não reconhece "confusão", eles a confundem com teimosia e punem o cavalo, o que gera mais confusão, que se transforma em nervosismo e insegurança, rebeldia e assim por diante.   
A última é o temperamento. Cavalos têm personalidade, temperamento. Dependendo da situação, eles podem ficar realmente bravos. O primeiro sinal a respeito de um temperamento irado é quando percebemos que não dá a menor bola para as ajudas. Não importa o quão firme nós a aplicamos. Um puxão nas rédeas, uma esporada mais forte, podem não significar nada para ele. Muitas vezes, ele pode nos mostrar os dentes. Em outras, ele pode sair correndo se esfregando numa cerca ou passando por baixo de uma árvore. Muitos treinadores decidem entrar nessa briga, no entanto, muito raramente saem dela com sucesso. O melhor de tudo é o “horsemanship manhana”. Deixar para amanhã. E na próxima sessão tentar descobrir o que fez aquilo tudo vir à tona e evidentemente tentar evitar que tudo comece outra vez.
Essas são algumas situações que vamos encontrar durante o programa de treinamento. Precisamos treinar cada vez mais para reconhecer - o mais rápido possível - os sinais que o cavalo nos manda. Isso vai ajudar a procurar pela solução. “Observar, lembrar e comparar”, como já dizia Tom Dorrance. Precisamos aprender a perceber o cavalo nos dizendo onde está a solução. Precisamos estar atentos porque o melhor momento para corrigirmos um problema é antes dele acontecer.

Eduardo Borba – Inspirado no livro : “If I Were Train a Horse” – Jack Brainard

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

O ponto forte do meu trabalho é que priorizo o ser humano – Eduardo Borba [Prêmio BeefPoint Bem-estar Animal]

BeefPoint realizará um grande evento – BeefSummit Bem-estar Animal -,  no dia 8 de maio de 2014, no Centro de Convenções do Ribeirão Shopping, na cidade de Ribeirão Preto/SP.
O evento terá a participação especial de Temple Grandin – pesquisadora que é referência mundial em bem-estar animal. Além de palestras inovadoras, com o Prof. Mateus Paranhos da Costa e pecuaristas que são referência nas práticas de bem-estar animal no Brasil.
Estes profissionais irão compartilhar casos de sucesso e aprendizados nesta área que cresce, a cada dia, dentro da cadeia produtiva da carne. E para fechar o dia com chave de ouro realizaremos a entrega do Prêmio BeefPoint 2014 – Edição Bem-estar Animal, que irá homenagear pecuaristas, profissionais, vaqueiros e pesquisadores que são referência em bem-estar no Brasil.
O público escolherá por meio de votação online, o vencedor de cada categoria. Assim, para você – leitor BeefPoint -, conhecer melhor os indicados, nós preparamos uma entrevista com cada um deles!
Conheça José Eduardo Pacheco Borba, finalista na categoria Profissional Referência em Bem-estar Animal.
Captura de Tela 2014-04-11 às 11.42.18

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ENTREVISTAS 11/04/14 - por Equipe BeefPoint
O ponto forte do meu trabalho é que priorizo o ser humano – Eduardo Borba [Prêmio BeefPoint Bem-estar Animal]
O BeefPoint realizará um grande evento – BeefSummit Bem-estar Animal -,  no dia 8 de maio de 2014, no Centro de Convenções do Ribeirão Shopping, na cidade de Ribeirão Preto/SP.

O evento terá a participação especial de Temple Grandin – pesquisadora que é referência mundial em bem-estar animal. Além de palestras inovadoras, com o Prof. Mateus Paranhos da Costa e pecuaristas que são referência nas práticas de bem-estar animal no Brasil.

Estes profissionais irão compartilhar casos de sucesso e aprendizados nesta área que cresce, a cada dia, dentro da cadeia produtiva da carne. E para fechar o dia com chave de ouro realizaremos a entrega do Prêmio BeefPoint 2014 – Edição Bem-estar Animal, que irá homenagear pecuaristas, profissionais, vaqueiros e pesquisadores que são referência em bem-estar no Brasil.

O público escolherá por meio de votação online, o vencedor de cada categoria. Assim, para você – leitor BeefPoint -, conhecer melhor os indicados, nós preparamos uma entrevista com cada um deles!

Conheça José Eduardo Pacheco Borba, finalista na categoria Profissional Referência em Bem-estar Animal.

Captura de Tela 2014-04-11 às 11.42.18

José Eduardo Pacheco Borba é conhecido no meio profissional como Prof. Borba, onde desenvolve atividades na área de “Consultor de Capacitação” – denominação dada por seu grande amigo Breno Barros!

Mora na sede do Projeto Doma em Capivari/SP, onde Borba e a Dudi Ometto – sua esposa e companheira -, desenvolve um paralelo. Ela com cavalos e cursos de rédeas e Borba com iniciação de potros, escola básica e cursos de equitação de vaqueiro e educação equestre com animais jovens.

Captura de Tela 2014-04-11 às 13.30.18

Atualmente, Borba está a frente do “Programa de Educação Continuada” nas fazendas de pecuária extensiva.

Borba é praticante daquilo que normalmente se chama “Zen Budismo”, faz pilates e seus livros preferidos são os de Horsemanship & Stockmanship que se mostram como os animais operam suas vidas e os de “Zen Budismo” que o ajudam muito no seu trabalho – no estado de espírito “com ele mesmo”. Suas músicas preferidas, são, bossa nova e jazz. É formado em Economia pela PUCC, mas nunca exerceu essa profissão.

Desde 1972 vem desenvolvendo esse trabalho com cavalos, gado e principalmente as pessoas, assim, é muito mais professor do que qualquer outra coisa!

Aliado ao seu trabalho, Borba fez muitos cursos nos EUA e rapidamente percebeu que lidar e domar animais sem violência, não era tão difícil, mas lidar com o temperamento das pessoas que lidam com os animais era o que se apresentava como realmente complexo e difícil.

Por isso, desde cedo instituiu nos seus cursos atividades “extra cavalos” e “extra gado”, como escrever, desenhar, teatralizações e exercícios para aguçar o intuitivo, a percepção, a sensibilidade e o timing dos participantes.

Captura de Tela 2014-04-11 às 11.42.02

BeefPoint: O que você implementou de diferente no trabalho de difusão dos conceitos em bem-estar animal – de forma técnica?

Eduardo Borba: Quem toca a pecuária no dia a dia é o vaqueiro. O pecuarista só dá as condições, que muitas vezes não são as melhores. Cavalos e mulas são uma das principais ferramentas da pecuária, mas nem sempre o pecuarista se preocupa em investir numa tropa boa, assim como em equipamentos eficientes.

Acho que o ponto forte do meu trabalho é que priorizo o ser humano. Não importa se estamos lidando com vacas, cavalos ou mulas. O ser humano é o mais importante. Ele precisa conhecer e saber como esses animais operam suas vidas para então poder ser eficiente quando interfere no comportamento deles.

Assim, precisa aprender a usar o instinto de auto preservação a seu favor e não brigar com ele. Como já disse, não existe a menor possibilidade de melhorar a vida dos animais se não ajudarmos o ser humano.

BeefPoint: Qual a aceitabilidade dos pecuaristas quanto a adoção de novas técnicas de manejo em suas propriedades, principalmente as focadas no manejo racional?

Eduardo Borba: Acredito que não temos a menor possibilidade de mudar um paradigma se não houver uma vontade explícita vinda daqueles que tem a pecuária como um negócio.

Estamos trabalhando com uma elite intelectual da pecuária que consegue perceber isso e adota o que chamamos de “Programa de Educação Continuada”. Visitamos a propriedade no mínimo quatro vezes por ano e trabalhamos com o mesmo grupo de pessoas (gerentes e chefes de retiro) que são as pessoas que vão difundir os novos conceitos dentro da propriedade.

Portanto, é “a atitude psicológica” do vaqueiro na aplicação das novas técnicas que é o agente modificador.

Captura de Tela 2014-04-11 às 13.32.31

BeefPoint: Quais as técnicas e argumentos você utiliza para convencer o seu cliente que o bem-estar animal é algo que faz a diferença em todo o ciclo da cadeia produtiva da carne?

Eduardo Borba: Não existe nenhuma técnica mais eficiente do que a compreensão do vaqueiro no que diz respeito a como os animais operam suas vidas.

Não existe como não perceber, pois os resultados são absolutamente imediatos. Vou passar aqui um depoimento que veio a menos de um mês da primeira visita:

“Bom dia Sr. Borba, tudo bem?

Baseado no comportamento animal, estamos mudando a forma como era ‘escolarizada’ (cerca de choque) as desmamas na fazenda Jatiuca.

Para o senhor entender melhor, a escolinha era utilizada da seguinte maneira:

Os animais entravam na escolinha toda quarta-feira a noite e saíam no sábado de manhã,
O processo era basicamente, dar água aos animais, arrumar o fio quebrado e o sinal que estavam ‘escolarizadas’ seria se manterem a um metro de distância da cerca e não ter vontade de pular a cerca.
Manejo novo:

Entrada quinta-feira pela manhã e saída quinta-feira a tarde,
Ensinamos os animais a serem conduzidos (pressão e alívio),
Mostramos o que é o choque,
Ensinamos o que é colchete de choque,
Evitamos acuar os animais, para que com o medo, eles quebrem a cerca e pulem o choque,
Ensinamos os animais a andar pelo corredor de choque e a fazer viradas dentro do corredor de choque,
O sinal de ‘escolarizadas’ acontece entre 1 a 2 horas de manejo.”
Ou seja, cavalos, bovinos e muares, são animais que pensam, sentem, decidem e tem uma capacidade enorme de aprender.

É incrível, que quando o ser humano tem “disponibilidade interna” para ensinar, eles aprendem muito rápido – e isso é sem dúvidas, revertido em lucro em todos os sentidos.

BeefPoint: Qual o perfil de pecuarista que procura pelo seu serviço?

Eduardo Borba: Uma elite intelectual que compreende que a pecuária faz parte, assim como qualquer atividade, dos problemas e desafios que a humanidade enfrenta nos dias de hoje.

BeefPoint: Como você descreveria sua linha de trabalho?

Eduardo Borba: Na verdade sou um psicanalista empírico de vaqueiros e animais.

Captura de Tela 2014-04-11 às 11.42.09

BeefPoint: Como o bem-estar se integra nisso? O que vem lhe trazendo mais resultados?

Eduardo Borba: O “bem-estar” só pode se integrar no dia a dia das fazendas via “ser humano”.

Acredito que o fato dos vaqueiros perceberem que os animais conseguem compreender o que querem que façam sem precisar forçar, nem intimidar e nem usar de dor física, já é um grande resultado.

Sendo assim, para que uma técnica seja eficiente ela precisa ser aplicada usando o trinômio:

Sensibilidade,
Timing,
Bom senso.
Na verdade, o vaqueiro já tem isso, então basta ajudá-lo a desenvolver esses três elementos. E sem dúvidas, é esse desenvolvimento que vai diferenciando uma pessoa da outra, no “curral”.

Captura de Tela 2014-04-11 às 13.32.20

BeefPoint: Todos sabemos que aprendemos mais com nossos erros. O que fez e deu errado? Você poderia nos contar?

Eduardo Borba: Talvez o erro seja o elemento mais importante do nosso trabalho. Com animais tudo é uma questão de tentativa, erro e acerto.

BeefPoint: Qual inovação e/ou novidade no setor você mais gostou dos últimos anos? O que estamos precisando inovar?

Eduardo Borba: A pecuária sempre foi uma classe absolutamente desunida e individualista e agora com a mentalidade empresarial chegando ela está tomando novos rumos e o BeefPoint – diga-se Miguel Cavalcanti e sua Equipe -, são os grandes responsáveis pela coesão da classe.

Reunir 1000 pessoas em 10 de dezembro, em Ribeirão Preto/SP e ter tudo tão absolutamente organizado e com a qualidade apresentada, deve chamar muito a atenção desses senhores. Para mim essa é a grande inovação.

BeefPoint: Quais seus planos em 2014?

Eduardo Borba: Poder estar e ser cada vez mais atuante e presente na pecuária brasileira.

BeefPoint: Qual o maior desafio da pecuária brasileira hoje?

Eduardo Borba: O vaqueiro brasileiro é a classe mais desassistida do Brasil. Os nossos vaqueiros não precisam aprender a trabalhar com gado ou cavalos, eles precisam aprender a “pensar”. Só assim vão conseguir decidir usando “bom senso”.

BeefPoint: Qual o exemplo de profissional dessa área você mais admira?

Eduardo Borba: Breno Barros. Ele é a pecuária moderna, ou seja, ele olha para a pecuária como um todo. Como por exemplo: o vaqueiro é apenas um item, pois tem a mulher dele que precisa estar bem, se sentir participante de todo o processo, e isto, para que o seu marido possa estar presente como um todo: física, mental e emocionalmente, nos seus afazeres.

Foi ele o criador do Programa de Educação Continuada e assim como eu, ele sabe que o importante para se ter uma carne de primeira é ter gente de primeira.

BeefPoint: Qual seu recado para os pecuaristas?

Eduardo Borba: Ofereça escola de primeira para seus vaqueiros.

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Confira outras entrevistas do Eduardo Borba no BeefPoint:

Eduardo Borba: não existe a menor possibilidade de mudar os animais se você não mudar as pessoas [vídeo]

Uma questão de ponto de vista – por Eduardo Borba

Confira outras fotos que ilustram o trabalho desenvolvido por Eduardo Borba:

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Conheça melhor o BeefSummit Bem-Estar Animal!

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Prêmio BeefPoint 2014 – Edição Bem-estar Animal – Vote agora em quem é referência no Brasil!

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 BeefSummit Bem-estar AnimalEduardo BorbaPrêmio BeefPoint 2014 - Edição Bem-estar Animalprofissional
3 opiniões sobre “O ponto forte do meu trabalho é que priorizo o ser humano – Eduardo Borba [Prêmio BeefPoint Bem-estar Animal]”

PAULO ROBERTO SILVA - 14/04/2014
Grande Borba, continua bem em forma…não gastou nem os dentes.
Boa sorte, você merece.

VALDIVINO ETERNO MOREIRA DA SILVA - 24/04/2014
Exelente matéria do Prof Borba gostaria muito de ler outras

EGIDIO QUINTAL - 25/04/2014
Pessoas como o prof.Borba mostra nos e a nossos vaqueiros a importancia do bem estar animal

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José Eduardo Pacheco Borba é conhecido no meio profissional como Prof. Borba, onde desenvolve atividades na área de “Consultor de Capacitação” – denominação dada por seu grande amigo Breno Barros!
Mora na sede do Projeto Doma em Capivari/SP, onde Borba e a Dudi Ometto – sua esposa e companheira -, desenvolve um paralelo. Ela com cavalos e cursos de rédeas e Borba com iniciação de potros, escola básica e cursos de equitação de vaqueiro e educação equestre com animais jovens.
Captura de Tela 2014-04-11 às 13.30.18
Atualmente, Borba está a frente do “Programa de Educação Continuada” nas fazendas de pecuária extensiva.
Borba é praticante daquilo que normalmente se chama “Zen Budismo”, faz pilates e seus livros preferidos são os de Horsemanship & Stockmanship que se mostram como os animais operam suas vidas e os de “Zen Budismo” que o ajudam muito no seu trabalho – no estado de espírito “com ele mesmo”. Suas músicas preferidas, são, bossa nova e jazz. É formado em Economia pela PUCC, mas nunca exerceu essa profissão.
Desde 1972 vem desenvolvendo esse trabalho com cavalos, gado e principalmente as pessoas, assim, é muito mais professor do que qualquer outra coisa!
Aliado ao seu trabalho, Borba fez muitos cursos nos EUA e rapidamente percebeu que lidar e domar animais sem violência, não era tão difícil, mas lidar com o temperamento das pessoas que lidam com os animais era o que se apresentava como realmente complexo e difícil.
Por isso, desde cedo instituiu nos seus cursos atividades “extra cavalos” e “extra gado”, como escrever, desenhar, teatralizações e exercícios para aguçar o intuitivo, a percepção, a sensibilidade e o timing dos participantes.
Captura de Tela 2014-04-11 às 11.42.02
BeefPoint: O que você implementou de diferente no trabalho de difusão dos conceitos em bem-estar animal – de forma técnica?
Eduardo Borba: Quem toca a pecuária no dia a dia é o vaqueiro. O pecuarista só dá as condições, que muitas vezes não são as melhores. Cavalos e mulas são uma das principais ferramentas da pecuária, mas nem sempre o pecuarista se preocupa em investir numa tropa boa, assim como em equipamentos eficientes.
Acho que o ponto forte do meu trabalho é que priorizo o ser humano. Não importa se estamos lidando com vacas, cavalos ou mulas. O ser humano é o mais importante. Ele precisa conhecer e saber como esses animais operam suas vidas para então poder ser eficiente quando interfere no comportamento deles.
Assim, precisa aprender a usar o instinto de auto preservação a seu favor e não brigar com ele. Como já disse, não existe a menor possibilidade de melhorar a vida dos animais se não ajudarmos o ser humano.
BeefPoint: Qual a aceitabilidade dos pecuaristas quanto a adoção de novas técnicas de manejo em suas propriedades, principalmente as focadas no manejo racional?
Eduardo Borba: Acredito que não temos a menor possibilidade de mudar um paradigma se não houver uma vontade explícita vinda daqueles que tem a pecuária como um negócio.
Estamos trabalhando com uma elite intelectual da pecuária que consegue perceber isso e adota o que chamamos de “Programa de Educação Continuada”. Visitamos a propriedade no mínimo quatro vezes por ano e trabalhamos com o mesmo grupo de pessoas (gerentes e chefes de retiro) que são as pessoas que vão difundir os novos conceitos dentro da propriedade.
Portanto, é “a atitude psicológica” do vaqueiro na aplicação das novas técnicas que é o agente modificador.
Captura de Tela 2014-04-11 às 13.32.31
BeefPoint: Quais as técnicas e argumentos você utiliza para convencer o seu cliente que o bem-estar animal é algo que faz a diferença em todo o ciclo da cadeia produtiva da carne?
Eduardo Borba: Não existe nenhuma técnica mais eficiente do que a compreensão do vaqueiro no que diz respeito a como os animais operam suas vidas.
Não existe como não perceber, pois os resultados são absolutamente imediatos. Vou passar aqui um depoimento que veio a menos de um mês da primeira visita:
“Bom dia Sr. Borba, tudo bem?
Baseado no comportamento animal, estamos mudando a forma como era ‘escolarizada’ (cerca de choque) as desmamas na fazenda Jatiuca.
Para o senhor entender melhor, a escolinha era utilizada da seguinte maneira:
  • Os animais entravam na escolinha toda quarta-feira a noite e saíam no sábado de manhã,
  • O processo era basicamente, dar água aos animais, arrumar o fio quebrado e o sinal que estavam ‘escolarizadas’ seria se manterem a um metro de distância da cerca e não ter vontade de pular a cerca.
Manejo novo:
  • Entrada quinta-feira pela manhã e saída quinta-feira a tarde,
  • Ensinamos os animais a serem conduzidos (pressão e alívio),
  • Mostramos o que é o choque,
  • Ensinamos o que é colchete de choque,
  • Evitamos acuar os animais, para que com o medo, eles quebrem a cerca e pulem o choque,
  • Ensinamos os animais a andar pelo corredor de choque e a fazer viradas dentro do corredor de choque,
  • O sinal de ‘escolarizadas’ acontece entre 1 a 2 horas de manejo.”
Ou seja, cavalos, bovinos e muares, são animais que pensam, sentem, decidem e tem uma capacidade enorme de aprender.
É incrível, que quando o ser humano tem “disponibilidade interna” para ensinar, eles aprendem muito rápido – e isso é sem dúvidas, revertido em lucro em todos os sentidos.
BeefPoint: Qual o perfil de pecuarista que procura pelo seu serviço?
Eduardo Borba: Uma elite intelectual que compreende que a pecuária faz parte, assim como qualquer atividade, dos problemas e desafios que a humanidade enfrenta nos dias de hoje.
BeefPoint: Como você descreveria sua linha de trabalho?
Eduardo Borba: Na verdade sou um psicanalista empírico de vaqueiros e animais.
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BeefPoint: Como o bem-estar se integra nisso? O que vem lhe trazendo mais resultados?
Eduardo Borba: O “bem-estar” só pode se integrar no dia a dia das fazendas via “ser humano”.
Acredito que o fato dos vaqueiros perceberem que os animais conseguem compreender o que querem que façam sem precisar forçar, nem intimidar e nem usar de dor física, já é um grande resultado.
Sendo assim, para que uma técnica seja eficiente ela precisa ser aplicada usando o trinômio:
  • Sensibilidade,
  • Timing,
  • Bom senso.
Na verdade, o vaqueiro já tem isso, então basta ajudá-lo a desenvolver esses três elementos. E sem dúvidas, é esse desenvolvimento que vai diferenciando uma pessoa da outra, no “curral”.
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BeefPoint: Todos sabemos que aprendemos mais com nossos erros. O que fez e deu errado? Você poderia nos contar?
Eduardo Borba: Talvez o erro seja o elemento mais importante do nosso trabalho. Com animais tudo é uma questão de tentativa, erro e acerto.
BeefPoint: Qual inovação e/ou novidade no setor você mais gostou dos últimos anos? O que estamos precisando inovar?
Eduardo Borba: A pecuária sempre foi uma classe absolutamente desunida e individualista e agora com a mentalidade empresarial chegando ela está tomando novos rumos e o BeefPoint – diga-se Miguel Cavalcanti e sua Equipe -, são os grandes responsáveis pela coesão da classe.
Reunir 1000 pessoas em 10 de dezembro, em Ribeirão Preto/SP e ter tudo tão absolutamente organizado e com a qualidade apresentada, deve chamar muito a atenção desses senhores. Para mim essa é a grande inovação.
BeefPoint: Quais seus planos em 2014?
Eduardo Borba: Poder estar e ser cada vez mais atuante e presente na pecuária brasileira.
BeefPoint: Qual o maior desafio da pecuária brasileira hoje?
Eduardo Borba: O vaqueiro brasileiro é a classe mais desassistida do Brasil. Os nossos vaqueiros não precisam aprender a trabalhar com gado ou cavalos, eles precisam aprender a “pensar”. Só assim vão conseguir decidir usando “bom senso”.
BeefPoint: Qual o exemplo de profissional dessa área você mais admira?
Eduardo Borba: Breno Barros. Ele é a pecuária moderna, ou seja, ele olha para a pecuária como um todo. Como por exemplo: o vaqueiro é apenas um item, pois tem a mulher dele que precisa estar bem, se sentir participante de todo o processo, e isto, para que o seu marido possa estar presente como um todo: física, mental e emocionalmente, nos seus afazeres.
Foi ele o criador do Programa de Educação Continuada e assim como eu, ele sabe que o importante para se ter uma carne de primeira é ter gente de primeira.
BeefPoint: Qual seu recado para os pecuaristas?
Eduardo Borba: Ofereça escola de primeira para seus vaqueiros.
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Confira outras entrevistas do Eduardo Borba no BeefPoint:
Confira outras fotos que ilustram o trabalho desenvolvido por Eduardo Borba:
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3 opiniões sobre “O ponto forte do meu trabalho é que priorizo o ser humano – Eduardo Borba [Prêmio BeefPoint Bem-estar Animal]”

  • PAULO ROBERTO SILVA - 14/04/2014
    Grande Borba, continua bem em forma…não gastou nem os dentes.
    Boa sorte, você merece.
  • VALDIVINO ETERNO MOREIRA DA SILVA - 24/04/2014
    Exelente matéria do Prof Borba gostaria muito de ler outras
  • EGIDIO QUINTAL - 25/04/2014
    Pessoas como o prof.Borba mostra nos e a nossos vaqueiros a importancia do bem estar animal
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